Al Final


Si he de decir algo,
diré que no sólo estuve,
que di lo mejor de mí
y busqué el nirvana donde pude.
Anduve mucho,
a veces horas,
a veces frené y me detuve
a contemplar despacio formas mil entre
las nubes.
Fui más vil de lo que quise,
lo sepan los jueces.
Sometimos sin hacer bulling,
no se lo merecen.
Si he decir algo,
diré que no sólo estuve,
que jodí y me jodieron
a partes iguales.
Aprendí de los animales:
si no es tu hermano, no te fíes
y que lo sepan los chavales…
Al final lo que cuenta,
son los pequeños detalles:
las charlas de café,
el césped recién cortao cuando el sol sale
y unas cañitas a fin de mes.
Mi vida es cuesta abajo,
me dejo caer… No hay duda:
Si falla todo, tengo donde volver.

Gata Cattana

No dia 12 caguei um chapéu,
não sei se o hei-de
usar na cabeça ou no cu.
No dia 13 escrevo um poema,
não sei se o hei-de publicar
ou limpar-lhe o cu.
Dá-me a tua opinião
em cu@poema.pt

Elisa Scarpa

Paradoxos


É possível ser bonito sendo feio
E ser feio sendo bonito
É possível ser inteligente não sabendo
E ser ignorante sabendo
É possível ser cego vendo
E ver sendo cego
É possível ser músico não tocando
E tocar não sendo músico
É possível amar não conhecendo
E conhecer não amando
É possível falar sendo mudo
E ser mudo falando
É possível ser surdo ouvindo
E não ouvir não sendo surdo
É possível ser tudo não sendo nada
E nada sendo tudo
É possível existir estando morto
E estar morto existindo
É possível afirmar negando
E negar afirmando
É possível ser Zenão sendo Parménides
E Parménides sendo Zenão
É possível chegar sendo lento
E ser rápido nunca chegando
É possível ser vagaroso em terra
E veloz no mar
É possível ser tartaruga.

Ana Paula Jardim

Guerra & Paz


Pedidos sacrifícios, as imagens
Foram trazidas na maré, enxutas.
Treme a escada torpe, e o cão ladra –
São os antepassados, fixos,
Na água das janelas.
Que podemos fazer, o fumo
Entra nas casas é preciso
Uma porta que nos leve ao mar.

Gil de Carvalho

Declaro mi Objeción

Le objeto a los empujones en la calle, 
a las miradas inquisidoras, 
a la malagana, 
a la basura en el piso, 
al militar del puente, 
a los estereotipos de niña y de niño, de bueno y de malo, 
de blanco y de negro. 

Le objeto a la ignorancia y al exceso de entretenimiento, 
a los héroes que no existen, 
a la costumbre del olvido y la indiferencia, 
al consumo exuberante, 
al pan-y-circo, 
a no dolerse con otro/a. 
Pero sobretodo le objeto a no detenerse y disfrutar el día, 
le objeto a no inventar molinos y gigantes, 
a perderme una fiesta, 
un grito, 
una sonrisa, 
un amante, 
un beso, 
un libro
 y un canto.

Ihasa Tinoco

A Árvore do Viajante


Do génio a que deu abrigo,
Sem ser por obrigação,
Ninguém sabe, ser amigo
Não exige condição.

Para o que casa não tem,
É sempre longa a viagem.
Dar, pois, sem olhar a quem,
Que caminho é passagem.

Por muito mais receber,
A seu favor o que dá
Nada lhe falta para ser
Quem mais tem, se nada há.

Sombras podia vender
Aos que o sol castigava,
Mas antes pôr a render
Consolo a quem passava,

Deserdado, peregrino,
Andarilho, mercador,
Umas vezes, sem destino
Buscando seja o que o que for;

Outras, terras demandando,
Da promissão desejada
Que não se sabe até quando
Um dia, nos leva a nada.

Vergílio Alberto Vieira

Contrato Social

Estava disponível para negociar.

Aceitaria as dificuldades,
mas não
a privação.

Ou aceitaria a privação, mas
jamais a fome.

Aceitaria a fome, mas
nunca a vergonha. Ou a
vergonha,
mas não a humilhação,
ou aceitaria a humilhação, mas
nunca o sacrifício. Aceitaria
o sacrifício, mas não o abate.

Aceitaria o abate.
Só queria que lhe garantissem
que não seria em vão.

Madalena de Castro Campos

Nihilismo


En el fondo de ti vuela la mariposa
personal ¡Salta en el vacío!
Nada suplanta la experiencia diestra
¿Qué haces en la ribera lamentándote?
momento piloto del ser monumento
Estar en el espacio santísimo y divino
las dos pupilas diarias y el órgano pineal
y mirar las estrellas con ojo terco

En la época dorada saber poner las manos
sobre la Nada no coger ya nada

La mixtificación no te rodea

Carlos Edmundo de Orly