Eu
Querias sanar a tua agonia
A minha urgência não permitia
Fintava o tempo, cortava o pavio
Teu punho fechado continuava vazio
Querias mostrar-me o frio rebelde
Que te eriçava o pelo e arrepiava a pele
Meu corpo ardia sempre mais alto
Queimava por dentro, deixava-me farto
Querias selar a noite e o dia
Com mágoa, com ganas, sem cortesia
Arrancavas promessas no cume do calor
Poemas orgásmicos, tesouros sem valor
Querias estrelas, aleluias, oxalás
Que eu partilhasse as minhas coisas más
O lençol suado, o meu cheiro guardado
Tudo o que é mentira fora desse quarto
Tu
Ardor com sabor de sal
Dor com cor de ferro
Ventania que rouba o ar
Fogueira com cheiro negro
Frio que queima
Seduz
Teima
Clarão que abafa
Sufoca
Mata
Ergue-me sem me tocar
Derruba-me, sim!
Quisesse eu evitar
Pudesse eu culpar-te por mim
A minha urgência não permitia
Fintava o tempo, cortava o pavio
Teu punho fechado continuava vazio
Querias mostrar-me o frio rebelde
Que te eriçava o pelo e arrepiava a pele
Meu corpo ardia sempre mais alto
Queimava por dentro, deixava-me farto
Querias selar a noite e o dia
Com mágoa, com ganas, sem cortesia
Arrancavas promessas no cume do calor
Poemas orgásmicos, tesouros sem valor
Querias estrelas, aleluias, oxalás
Que eu partilhasse as minhas coisas más
O lençol suado, o meu cheiro guardado
Tudo o que é mentira fora desse quarto
Tu
Ardor com sabor de sal
Dor com cor de ferro
Ventania que rouba o ar
Fogueira com cheiro negro
Frio que queima
Seduz
Teima
Clarão que abafa
Sufoca
Mata
Ergue-me sem me tocar
Derruba-me, sim!
Quisesse eu evitar
Pudesse eu culpar-te por mim
Laura Vasques Sousa


