do emigrado, desertor
das batalhas download obscuras
da tundra da treta do amor
à pátria
amordaça a luz, o saber,
e é mais um T2 T3 a vender
almas suínas na candonga
d'alpercatas e homophones
rebolam bichanados
até ao escorrega
arco-íris do hospício
distúrbios internados
queimados pela sacra
inquisição -
:assassinados na Dinamarca
: despedidas em França
: fuzilados na Naníbia
: decepados no Irão
: apedrejados na Argentina
: esquartejados
marginalizados... o negro
nojo tolerância tuga
em pirueta, as bichas
morrem desamparadas
ficando a sua apolcalíptica
merda poética a estrumar
futuros currais d'escuridão
e a tricha c'est moi?
sou eu, a oculta peste negra
qu'incendeia os cães vestidos
de peles de homens almíscarados
esfumando-se na paisagem
entre deformados loopings
libélulas feridas
ao redor sombras descaídas
no fim da tarde que s'esvai
na tirana linha do horizonte
tanta fruta podre caída no solo
d'esfomeados que tombam
esqueléticos entre as virilhas
dos arcanjos mutilados,
virando costas
ao nascer d'osso do vazio
assombrando o peito
barulhos para ninguém
oculto a tua morte
a morte ocultará a minha vida
como um gás raro, o gene
A25-BIS-DR2 não se encontra
no número atómico 36
nem no espectro das linhas
verdes e amarelas qu'estimulam
a perseverança e a astúcia
Saturno namora Marte
num encarte do correio
e eu quero um Beetle de 52
qu'eu cá sou de pouco brilho
ermo trilho labirintos
debaixo do panamá
transbordam algoritmos
secretos
secretas vidas terão
tornados e nenúfares
após passarem paralém
do seu fim? Ou morrerão ali,
na hora, como nós,
quando nos despedimos
costado voltado à taipa
da morgue em metamorfose
minha doce concubina?
Jorge Aguiar Oliveira