Dissinergia
Eu
Querias sanar a tua agonia
A minha urgência não permitia
Fintava o tempo, cortava o pavio
Teu punho fechado continuava vazio
Querias mostrar-me o frio rebelde
Que te eriçava o pelo e arrepiava a pele
Meu corpo ardia sempre mais alto
Queimava por dentro, deixava-me farto
Querias selar a noite e o dia
Com mágoa, com ganas, sem cortesia
Arrancavas promessas no cume do calor
Poemas orgásmicos, tesouros sem valor
Querias estrelas, aleluias, oxalás
Que eu partilhasse as minhas coisas más
O lençol suado, o meu cheiro guardado
Tudo o que é mentira fora desse quarto
Tu
Ardor com sabor de sal
Dor com cor de ferro
Ventania que rouba o ar
Fogueira com cheiro negro
Frio que queima
Seduz
Teima
Clarão que abafa
Sufoca
Mata
Ergue-me sem me tocar
Derruba-me, sim!
Quisesse eu evitar
Pudesse eu culpar-te por mim
A minha urgência não permitia
Fintava o tempo, cortava o pavio
Teu punho fechado continuava vazio
Querias mostrar-me o frio rebelde
Que te eriçava o pelo e arrepiava a pele
Meu corpo ardia sempre mais alto
Queimava por dentro, deixava-me farto
Querias selar a noite e o dia
Com mágoa, com ganas, sem cortesia
Arrancavas promessas no cume do calor
Poemas orgásmicos, tesouros sem valor
Querias estrelas, aleluias, oxalás
Que eu partilhasse as minhas coisas más
O lençol suado, o meu cheiro guardado
Tudo o que é mentira fora desse quarto
Tu
Ardor com sabor de sal
Dor com cor de ferro
Ventania que rouba o ar
Fogueira com cheiro negro
Frio que queima
Seduz
Teima
Clarão que abafa
Sufoca
Mata
Ergue-me sem me tocar
Derruba-me, sim!
Quisesse eu evitar
Pudesse eu culpar-te por mim
Laura Vasques Sousa
Poema Sin Tierra 3
¿Quién te dará?
La tierra
Si no son
¿Tus manos?
¿Quién te dará?
La tierra
Si no son
¿Tus brazos?
¿Quién te dará?
La tierra
Si no eres tú
Trabajador del campo
Que siembras
Con sudor
E sangre
El silencio
Que geme en la tierra
¿Tu canto?
¿Quién?
Carlos Pronzato
Dieta de Poeta
À mesa do profeta
o poeta rapa as sementes do génesis
e mudo mastiga o mundo
musas
e erros fritos.
Ah,
a secreta pantagruélica poética refeição
do poeta a lamber os beiços
e depois ainda doces beijos
embrulhados em papel azul celofane.
E ali sentada
mui discreta
ao lado do poeta,
a poetisa come pizza.
Ana Jaqueiro
Por Vezes o Abandono
Por vezes o abandono
é tão grande
que nos leva à janela
só para ver
se lá fora
o tempo continua.
Flor Campino
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