Tudo na verdade cansa oh meus bons amigos
E o que dura de mais por si próprio se esmorece;
O amor a pouco e pouco evolui e se esquece
Cansa-se cada um de si mesmo p'ra consigo...
Cansa a actividade como cansa a rotina
Mas igualmente cansa o prolongado pousio
Da alma em qualquer mal que recordo e desfio
- Fricção que não acalma na mais áspera esquina...
E é assim, cansado sempre que na variedade
Do cansaço se acha descanso e satisfação;
Como alguém que muda o peso de mão em mão
Como alguém que de manhã imagina a tarde
Tudo cansa pois, pelo menos assim parece
- E o próprio descanso se for demais se aborrece.
Cristino Cortes