Não há poema na cena, a cena é o poema da recusa em não em cena estar.
Em não em cena respirar. Em não em cena. Em não em cena não se está. Nunca se não está, não está. É-se público mesmo quando não se o tem, em não em cena.
Tem uma forma a palavra. Tem dança. A forma. Escreve o teu nome com o corpo, ela dizia no frio do norte. Escreve o teu corpo com o nome que se te dá em cena. Digo eu entre o meio e o meu seio (isto é poética performada).
Mais a sul comem-se os nomes com os corpos. Fiz um sacrifício e nunca mais vou comer um certo bicho, depois de o ter performado. Formou-se dentro de mim a compaixão da não consumação. Não é bem este o sentido mas por lá chega, por outro lado.
A poética é tudo o que fica fora de cena, e eu estou tão cansada de dois anos de poética e três dias de cena. Não é justo, é teimosia, é justo, é dar corpo-poesia. É dar. E pega-se. Pégaso me leve. Eleva! Estou tão cansada de escrever durante dois anos para vos dizer durante três dias, duas horas por dia, para me ouvirem performo-dizer. Sou teimosa e queria ser mula. Só um bocadinho, para não ter de escrever.
Amoral da história:
Há muitos anos fiz vinho quente em cena e embebedei-me com os vapores. O que melhorou em muito a qualidade da minha performance.
Sonia Baptista