Era Tudo e a Minha Marginalidade Embriagada ao Som do Jazz.


Foi a metamorfose do mar que se tornou
sangue. Foi a metamorfose da Terra que
se transformou em esperma vulcânico.

Foi a catástrofe da metamorfose animal.
Foi a orgia sexual, onde o mais forte
poderia viajar à lua com 50% de desconto.

Era a desigualdade. Eram seres que abortavam pênis
deformados. Era o ódio.

E a palavra amor era dita com os dentes
rangendo, produzindo um ruído cruel.

Era o fim do mundo, era a morte da
honestidade e ouviam-se convites sexuais no ar.

Entretanto, havia seres independentes
que resistiam bebendo e era tudo
e a minha marginalidade
embriagada ao som do jazz num quarto
velho onde a joint fazia com que o ar se
tornasse espesso.

João Carlos Raposo Nunes